Uma pesquisa do Instituto Locomotiva, divulgada nesta terça-feira (2), aponta que 67% dos brasileiros entrevistados acreditam que a jornada de trabalho de seis dias seguidos e um dia de descanso afeta negativamente sua saúde mental. O tema está em discussão no Congresso, onde tramita uma proposta para o fim dessa escala.
A proposta de emenda à Constituição (PEC) 221 de 2019, aprovada hoje pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, sugere a obrigatoriedade de dois dias de descanso remunerado por semana, além de reduzir a carga horária semanal de 44 para 40 horas.
O levantamento também revela que 62% dos entrevistados consideram que a rotina de trabalho prejudica sua saúde física. Segundo Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva, a pesquisa destaca que a jornada de trabalho impacta aspectos essenciais da qualidade de vida, como saúde mental, descanso e tempo com a família.
Além disso, 69% dos participantes afirmaram que o tempo com a família é afetado pela escala 6×1, enquanto 61% relataram impactos no sono e no descanso. A pesquisa, realizada entre 2 e 8 de junho, ouviu 1.030 brasileiros de diversas regiões do país.
Outros dados mostram que 71% dos entrevistados consideram difícil manter hábitos saudáveis devido à carga de trabalho, e 78% afirmam que é complicado descansar adequadamente. O sentimento de cansaço é compartilhado por 83% das pessoas, e 85% dos trabalhadores na escala 6×1 sentem que sacrificam saúde e lazer em troca de renda, com o percentual subindo para 89% entre as mulheres.
Os parlamentares que discutem a PEC ressaltam que existem divergências em estudos sobre os impactos do fim da escala 6×1 na inflação e no Produto Interno Bruto (PIB) do país.
