A intenção de consumo das famílias de Roraima recuou pelo quarto mês consecutivo em julho de 2026, segundo o Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), que ficou em 107,9 pontos. A queda foi de 0,5% em relação a junho e de 6,3% na comparação anual. Apesar da retração, o índice permanece acima da linha de 100 pontos, que separa otimismo de pessimismo, mas se aproxima dela.
O movimento local contrasta com o cenário nacional: o ICF do Brasil avançou 0,1% no mês e 2,6% no ano, chegando a 105,6 pontos, o maior valor desde março de 2015. Em março, Roraima estava mais de 10 pontos acima da média nacional; agora, a vantagem caiu para apenas 2,3 pontos.
Os indicadores de situação atual melhoraram em julho: Emprego Atual subiu 0,9%, Renda Atual avançou 1,0% e Nível de Consumo Atual teve alta de 1,7%. No entanto, todos os itens de expectativa caíram: Perspectiva Profissional (-0,8%), Acesso ao Crédito (-1,6%), Perspectiva de Consumo (-1,3%) e Momento para Duráveis (-2,5%).
A Perspectiva de Consumo é o item mais preocupante, com queda anual de 23,4% em julho, a pior da sequência, que já dura sete meses. O Acesso ao Crédito e o Momento para Duráveis, que vinham em alta no início do ano, agora acumulam quedas anuais de 6,8% e 8,0%, respectivamente.
Para os empresários locais, o cenário indica cautela: o consumidor roraimense está mais inseguro sobre o futuro, o que pode reduzir as vendas no segundo semestre. A queda mais forte entre famílias de renda mais alta (3,1% no mês) contrasta com a menor retração entre as de baixa renda (0,3%), mas no acumulado de 12 meses, as famílias de até 10 salários mínimos sentem mais o desgaste (-6,5% contra -3,5%).
No ranking nacional, Roraima caiu para a 14ª posição, ultrapassado pela Bahia, mas segue acima da média do país. Entre os estados do Norte, é o que tem o menor ICF, com Pará (131,4), Amazonas (128,1) e Rondônia (125,4) na liderança.